domingo, 29 de março de 2009

E L I M I N A D O !

Foi essa a palavra que esperei ouvir durante seis meses!
Pois bem, no dia 12 de março próximo passado, eu a ouvi da boca do Pe. Renato, com uma clareza que não posso descrever. E L I M I N A D O !

E L I M I N A D O ! As células cancerígenas do meu corpo.
E L I M I N A D O ! A incerteza da cura.
E L I M I N A D O ! Qualquer dúvida, se porventura, ainda existente.
E L I M I N A D O ! As nuvens sombrias que por algum momento existiram em minha vida.

P E R M A N E C E ! A certeza da graça e do amor do Pai!
P E R M A N E C E ! O coração agradecido a Deus por sua misericórdia!
P E R M A N E C E ! O amor dos familiares e amigos que oraram intercedendo pela minha cura!
P E R M A N E C E ! A a vontade e a paz de Cristo em minha vida!

segunda-feira, 29 de setembro de 2008

A incerteza bate à sua porta!

Um dia você recebe uma notícia desagradável, mas a sua fé é inabalável, assim você julga.
Chegou o momento da decisão, e agora Senhor o que fazer? Mostra-me o caminho a seguir.
Em Tuas mãos eu me entrego, faça-se conforme a Vossa vontade! Amém!
Será assim mesmo? Chegou o momento, por aqui? Ou por alí?
E agora Senhor? A dúvida, incerteza, preocupação, medo, ... etc. Senhor, Será a noite escura da fé? Abandono em Tuas mãos em paz! Tudo aceito com amor!
E a luz aparece no fim do túnel, o melhor para mim, para meu corpo, para minha família, é isso mesmo Senhor, estou tranquila, calma, paciente e a esperança bate à minha porta.
Obrigada Pai, sou uma maravilha de Tuas mãos, eu te louvo e te bendigo pelas graças derramadas em minha vida. Muito Obrigada Pai!

quarta-feira, 14 de maio de 2008

"A ARTE DE SER FELIZ"


«Arte de ser feliz», segundo Ignácio Larrañag,a fundador das «Oficinas de Oração»

Por Lídia González e Teresa de Diego


MADRI, segunda-feira, 12 de maio de 2008 (ZENIT.org).


O Pe. Ignácio Larrañaga, sacerdote franciscano, capuchinho, fundador das Oficinas da Oração (http://www.tovpil.org/), que beneficiaram mais de dez milhões de pessoas, é um dos mestres do espírito deste começo de milênio.
Autor de mais de 12 livros que foram traduzidos a mais de dez idiomas, ele teve uma enorme influência com sua pedagogia, que vincula a oração com a vida concreta, especialmente com a vida conjugal.
É autor de um dos livros de espiritualidade de mais êxito neste momento, «A arte de ser feliz» (LibrosLibres), que já chegou à sua 7ª edição, com o qual pretende ajudar o homem moderno a sair de sua angústia e encontrar a felicidade.
Assim explica este missionário nesta entrevista, cuja obra, com reconhecimento pontifício, estendeu-se por todos os continentes.


-É possível que o homem seja realmente feliz?
-Pe. Larrañaga:
Ainda que mágica, a palavra felicidade não deixa de ser uma palavra errada. Na realidade, ninguém é feliz, completamente feliz. Pode ter momentos de êxtase ou exaltação e nesses momentos parece que se chegou à plenitude da felicidade; mas, vã ilusão! São momentos efêmeros, fugazes. Pode haver faíscas de felicidade, de alegria, mas a felicidade em si? Não. O que aborta a felicidade é o sofrimento, e aqui podemos estabelecer uma lei de proporcionalidade: quanto mais sofrimento, menos felicidade; quanto menos sofrimento, mais felicidade. «A arte de ser feliz» ensina a eliminar ou diminuir qualquer sofrimento e, por este caminho, ensina não a ser feliz, mas sim a ser mais feliz. Eis aí a arte.

-Um homem que sofre doença ou dor física pode ser feliz?
-Pe. Larrañaga:
Pode-se dizer que qualquer dor corporal já foi eliminada com os remédios modernos. Mas... e a doença? O problema da doença não é a perturbação biológica, mas a resistência mental que a angústia tem. A angústia é o pior espinho da doença. Um enfermo inundado de uma grande paz é um enfermo feliz.
Este livro ensina precisamente isso: arrancar da doença seu pior espinho, que é a angústia. Transformar a doença na «irmã doença» e fazer do enfermo um «enfermo feliz». Eis aí a arte.

-Hoje em dia vivemos pensando em ter êxito. Como preparar-nos para aceitar o fracasso?
-Pe. Larrañaga:
É verdade. Estamos imersos em uma sociedade excessivamente competitiva na qual o mais forte, o mais audaz, o mais criativo vence na luta sem trégua. Por todas as partes se ouve o grito romano «ai dos vencidos», ou seja, «ai dos fracassados». Nesta sociedade não há lugar para os fracassados; eles são eliminados com crueldade e sem compaixão. Você me pergunta: como aceitar o fracasso sem cair? Francamente, não sei; ou melhor, acho impossível. Talvez só o espírito de fé e abandono em Deus poderia suavizar o sofrimento e ajudar a pessoa a manter-se de pé. Sem fé é inevitável cair de costas, feito pedaços.

-Há pessoas que acreditam que o homem se tortura com angústias e obsessões porque pensa demais?
-Pe Larrañaga:
Não porque pensa demais, mas porque dá voltas em sua mente, inutilmente, a fatos consumados e episódios tristes. E de tanto dar voltas em sua cabeça a acontecimentos tristes da vida, as pessoas se tornam temperamentalmente tristes. Os fatos que não têm solução ou cuja solução não está em nossas mãos, para que dar voltas na mente? Deve-se deixá-los nas mãos de Deus.

-Por que acredita que temos tanto medo de que os anos passem e a morte nos surpreenda sem ter vivido? Qual é sua resposta aos que temem a morte?
-Pe. Larrañaga:
É um sentimento profundo, quase sempre inconsciente, mas real: os anos vão se passando e as pessoas estão se aproximando do ocaso da vida. Não lhes falta nada. Por ter tudo, até têm saúde física e mental, mas estão dominadas pela sensação de que lhes falta tudo. Se lhes perguntamos pela razão de seu viver, responderão que não a têm. É o vazio, a escura sensação de que a vida se vai sem que a tenham vivido. Sua existência não foi gratificante. Resposta aos que temem a morte? Não é fácil responder. É um fenômeno de grande complexidade. Esse temor, para os que não têm fé, participa do «horror vacui», horror ao vazio. Certamente é um temor irracional: deveriam pensar mil vezes na lei universal de que o que começa, acaba, lei respeitada por todos os seres da criação, exceto pelo homem.

-Da mesma forma que aprendemos a ler, escrever... temos de aprender a ser felizes? Depende de nós ou das circunstâncias que nos corresponde viver?
-Pe. Larrañaga:
Na época pré-humana, os animais não tinham problemas para viver. Todos os seus problemas tinham soluções mediante mecanismos instintivos com os que resolviam, quase mecanicamente, suas necessidades elementares. Os animais não podem ser mais felizes do que são. Não têm problemas. O homem, ao contrário, desde que sai à luz, só encontra problemas: tem de começar a respirar, alimentar-se, a andar, a falar... e assim, ao longo dos anos, e até a morte , sua existência é um eterno aprender a viver e ser feliz. É verdade que há personalidades geneticamente inclinadas à tristeza, outras à alegria. Também é verdade que certas circunstâncias da vida podem favorecer ou colocar obstáculo ao viver. Mas é o próprio leitor quem tem de pôr em prática os meios de autoliberação que o livro entregará em um processo de progressiva superação do sofrimento humano, avançar paulatinamente rumo à tranqüilidade da mente, a serenidade dos nervos e a paz da alma.

-Atualmente dispomos de muitos meios materiais, avanços tecnológicos... mas as pessoas parecem mais individualistas, nervosas, distraídas, ou seja, menos felizes. Teremos de fugir para uma ilha deserta para ser felizes?
-Pe. Larrañaga:
Efetivamente, a sociedade moderna é assassina, digamos assim, porque acaba por desintegrar o mais sagrado do homem, que é a unidade interior e a estabilidade emocional. E por aí sobrevém a dispersão, o estresse, e podemos aproximar-nos perigosamente da depressão, e tudo isso em meio à sensação generalizada de desassossego. Para salvar-nos de uma sociedade tão desestabilizadora, não precisamos retirar-nos a uma ilha solitária. Mas tampouco cabe a possibilidade de viver um presente de natal. O leitor terá de submeter-se a um processo de autoliberação seguindo as pautas do livro.

-Você dá muita importância à oração; precisa dela para viver com alegria?
-Pe. Larrañaga:
Penso absolutamente que o trato de amizade e a relação pessoal com Deus favorecem enormemente, quase decididamente, a liberdade interior, a ausência do medo e da alegria de viver. Também suspeito que a oração e a atitude de abandono são o único caminho da paz profunda. De qualquer forma, penso que os golpes rudes da vida nos despedaçarão inevitavelmente se Deus estiver totalmente ausente do coração.

-E se a pessoa não tem fé, pode ser igualmente feliz?
-Pe. Larrañaga:
Compreendo que pode haver homens e mulheres completamente agnósticos e igualmente felizes. Mas isso por exceção. O homem, sem fé, tem de sentir um grande vazio, na última solidão do ser, naquele poço infinito que só um infinito pode preencher. Em todo caso, todas as reflexões e orientações que «A arte de ser feliz» oferece vão dirigidas aos que não têm fé ou cuja fé é frágil.

domingo, 11 de maio de 2008

DIA DA MÃES


Conhecendo um pouco da origem...

Não é à toa que o dito popular... "Mãe é uma só "... vem sendo utilizado há muito tempo, pois desde a Grécia Antiga os gregos, toda a primavera, celebravam em honra de Rhea, a mãe dos Deuses.
Em 1600, surgiu o chamado "Mothering Day" para que as mães da Inglaterra pudessem ser honradas, fato que deu origem ao "mothering cake", um bolo para as mães que tornaria o dia ainda mais festivo...
Em 1907, Ana Jarvis, da Filadélfia, iniciou uma campanha para estabelecer o Dia das Mães nacional. Ela sugeriu celebrar a data no segundo aniversário da morte de sua mãe, um segundo domingo do mês de maio. Ana Jarvis e seus apoiadores firmaram-se no propósito de estabelecer o Dia das Mães nacional. Sua campanha prosperou e, em 1911, o Dia das Mães foi celebrado em quase todos os estados.
Finalmente, em 1914 o presidente Wilson decretou oficialmente o Dia das Mães como um feriado nacional, fixado no segundo domingo de maio de cada ano. Hoje comemorado Internaciolmente.
Um pouco de reflexão...
Existem vários tipos de mães, e gostaria de falar um pouco de cada uma delas, mas, antes vou fazer um parentêse, mães não são só biológicas, nunca devemos esquecer as mães adotivas, chamadas por muitos "Mães do Coração!" Essas se desdobram na educação superando principalmente a diferença de ter gerado um filho no coração.
Pois bem voltando a reflexão, existem as mães que cuidam demais, outras que são autoritárias; aquelas que deixam seus filhos crescerem de uma maneira mais liberal...
Poderia citar vários títulos diferentes, e com certeza em minha família encontraríamos esses tipos de mães e também algumas delas se encaixam em muitos destes perfis ao mesmo tempo.
Ser mãe, educar, preparar aquele pequeno ser para uma vida... que tarefa séria.
Muitas vezes podem surgir perguntas...Será que estou fazendo tudo certo?... Como a educação que estou dando irá interferir na vida de meu filho?...
Será que eu sei ser mãe?... Nem sempre as respostas aparecem no momento que deveriam, deixando estas interrogações abertas e gerando novas dúvidas.
Mas com certeza, aquele sentimento indescritível de segurar seu pequeno bebê, alimentá-lo, vê-lo crescer, enfim, estar com ele, dando de sí aquilo o que puder dar...amor.... qualidade, são muitas vezes um ponto final às tantas dúvidas e medos que sempre irão surgir no decorrer da vida.
Não importa a idade dos filhos, não importa o tipo de mãe... pois quantidade sem qualidade não preenche a necessidade e muito menos diminui algumas culpas de muitas mães por precisarem estar ausentes.
Não poderia terminar esta homenagem, sem antes falar das, avós e das tias avós, chamadas de "segundas mães", não poderia esquecer, muitas delas por infinitas vezes estão ao lado e mesmo à frente da educação de seus netos e sobrinhos netos.
Com sua sabedoria, experiência e com certeza um sentimento maravilhoso de estar vivenciando os frutos de seu fruto, ou seja, a continuidade das gerações.
Pude vivenciar e testemunhar o amor infinito de uma avó e de uma tia vó em minha vida e na vida de minha filha Beatriz.
Mas como disse o escritou Augusto Cury: Se educar é uma tarefa dificílima, imagine educar ... o menino Jesus...? Pois hoje a Maria, Mãe de Jesus continua exemplo pra todas as Mães, nos ensinando com a sua serenidade e lucidez os princípios para a educação moderna dos nossos filhos.
Feliz dia das mães!

segunda-feira, 21 de abril de 2008

NOSSA SENHORA DO PILAR


Onde aconteceu: Na Espanha.

Quando:
Durante o século I.

A quem:
Ao apóstolo São Tiago.



A História.



Segundo uma antiga tradição, desde os primórdios de sua conversão, os cristãos primitivos ergueram uma capelinha em honra da Virgem Maria, às margens do rio Ebro, na cidade de Zaragoza, na região de Aragon, na Espanha.

A capelinha primitiva foi sendo reconstruída e ampliada com o correr dos séculos, até se transformar na grandiosa basílica que acolhe, como centro vivo e permanente de peregrinações a numerosos fiéis que, de todas as partes do mundo, vêm rezar à Virgem e venerar seu Pilar.


Outra venerável tradição afirma que a Virgem apareceu sobre um pilar junto ao rio Ebro, ao apóstolo São Tiago, que chegara à Espanha para anunciar o Evangelho quando estava desanimado pelos insucessos, já disposto a retornar a Jerusalém.

Trata-se de uma invocação que tem sido objeto de particular devoção dos espanhóis. Dificilmente poder-se-á encontrar na nação espanhola um povoado que não guarde com amor a pequena imagem sobre a santa coluna.

Muito para além dos milagres espetaculares, a Virgem do Pilar é invocada como refúgio dos pecadores, consoladora dos aflitos, Mãe da Espanha. Sua ação é sobretudo espiritual. A devoção ao Pilar tem uma enorme penetração na Ibero-américa, cujos países celebram o dia do descobrimento de seu continente a 12 de outubro, isto é, no dia do Pilar.

A Basílica fica aberta o dia inteiro, mas nunca faltam os fiéis que chegam ao Pilar em busca de reconciliação, graça e diálogo com Deus.

É popular na Espanha, especialmente a região de Aragon, a jaculatória:


"Bendita seja a hora em que a Virgem veio em carne mortal a Zaragoza".


Outra tradição chega a afirmar que a visita da Virgem à Espanha tenha ocorrido durante sua vida terrena.


O Papa João Paulo II.


O Papa João Paulo II, por duas vezes escolheu este santuário como primeiro passo de suas viagens à América Latina: em 1979, para assistir à Conferência de Puebla e em 1984 para inaugurar as comemorações do V Centenário do descobrimento e o início da evangelização na América.

O Papa dizia nessa basílica, citando Puebla: "Ela (Maria) tem que ser cada vez mais a pedagoga do Evangelho na América Latina" (Puebla, 290).

"Sim, continua dizendo o Papa, a pedagoga, a que nos conduz pela mão, que nos ensina a cumprir o mandato missionário de seu Filho e a guardar tudo o que Ele nos ensinou. O amor à Virgem Maria, Mãe e Modelo da Igreja, é garantia da autenticidade e da eficácia redentora de nossa fé cristã".


Consagração a Nossa Senhora do Pilar



Virgem Imaculada! Minha Mãe! Maria! Eu vos renovo, hoje e para sempre a consagração de todo o meu ser para que disponhais de mimpara o bem de todas as pessoas.

Somente vos peço, minha rainha e mãe da igreja, força para cooperar fielmente na vossa missão de trazero reino de Jesus ao mundo.

Ofereço-vos, portanto, Coração Imaculado de Maria, as orações e os sacrifíciosdeste dia, para que fiéis à nossa consagração, sejamos igualmente disponíveis a colaborar convosco na construção de um mundo novo.

Ó Maria concebida sem pecado! Rogai por nós que recorremos a vós e por todos quantos recorrema vós, de modo particular as famílias de nossa comunidade paroquial, que vos venera com o título de Senhora do Pilar.

Salve Rainha...




segunda-feira, 17 de março de 2008

sexta-feira, 7 de março de 2008

FREI IGNÁCIO LARRAÑAGA



Frei Ignácio Larrañaga : O Profeta da Oração

Fundador das Oficinas de Oração e Vida, Frei Ignácio Larrañaga, 79, comemora em 2007, 55 anos de sacerdócio. Nascido em Loyola (Espanha), mesma terra natal de santo Inácio, de quem herdou o nome, Larrañaga ordenou-se como sacerdote franciscano-capuchinho e, não, como jesuíta. Começou a escrever aos 45 anos. Chamado de Profeta da Oração é conhecido em todo o mundo como o criador dos Encontros de Experiência de Deus, iniciados em 1974 no Brasil, o que resultou na criação das Oficinas de Oração e Vida, em 1984. Ele já escreveu 16 livros, e atualmente reside em Santiago (Chile). Há mais de 33 anos, percorre o Mundo evangelizando e animando as comunidades, um trabalho que aproxima as pessoas de Deus. Nesta entrevista ele nos revela porque as oficinas de oração transmite a mais pura espiritualidade de Deus.

(Por Pedrinho Botaro)


A Boa Notícia: Frei Ignácio qual foi o primeiro toque, a primeira experiência que desabrochou em sua tão vibrante vocação?

Larranãga: Bem isto aconteceu na minha vida quando eu tinha mais ou menos trinta e dois anos. Aconteceu num momento que eu tinha, não sei por quais motivos, algum desgosto e que eu não conseguia dormir. Aí saía à janela para ver as estrelas e repentinamente me tomou, e é isto que agora não se pode explicar, a gente não sabe se é uma onda do mar, se realmente é um dilúvio, ou é uma maré que se dá de presença, de alegria, de paz, de fortaleza, de lágrimas, lágrimas e lágrimas. Depois eu reflexionei sobre isto muito mais tarde, e coloquei umas certas características para poder descrever como foi aquilo. Primeiramente uma experiência propriamente tal e repentina. Isto é, instantânea quase. Em segundo lugar, uma experiência desproporcional para a preparação que eu tinha, porque nesse momento eu não tinha nenhuma preparação e venho repentinamente. Em terceiro lugar, a percepção sensorial de que aquilo não é um produto das faculdades psicológicas que em combinações desconhecidas realizam efeitos misteriosos. Não foi nada disso. Evidentemente foi algo que vinha de fora para dentro, infundindo se ou invadindo de maneira que seja desde o exterior para o interior, e finalmente uma experiência repentina, vivíssima e marcante. E se pode dizer que a partir daí tudo mudou a visão da vida, os projetos da existência, e os dezesseis livros que eu escrevi depois, são de alguma maneira um reflexo daquela vivência naquela noite. E não se repetiu mais. Isto é uma das características da classe de experiência que geralmente acontece uma vez, mas vai influenciando durante toda a vida até a morte. E tudo que eu fiz desde então que são já, perto de quarenta anos, é de alguma maneira um efeito longínquo da vivência especial, eu diria, espetacular daquela noite inesperada.

A Boa Notícia: Qual é o carisma das Oficinas de Oração e Vida ?

Larranãga: Bem, as Oficinas de Oração e Vida em primeiro lugar são o que hoje em dia chamamos de uma nova evangelização. O Santo Padre João Paulo II e o Cardeal Joseph Ratizinger naquele tempo, isto é faz dez anos, falava muito da nova evangelização e colocaram nas características mais ou menos concretas desta nova evangelização e se pode dizer que as oficinas de alguma maneira são um reflexo destas características. Primeiramente isso. Em segundo lugar existem outras características daquilo que o Santo Padre queria. Primeiramente nós ensinamos a orar de uma maneira ordenada, metódica, sistemática, e sobretudo de uma maneira experimental e prática. E isto desde os primeiros passos até a contemplação transformante. Em segundo lugar existe através da reconciliação universal uma profunda purificação de todas as mágoas, feridas, tristezas e agonias mentais. A gente vai eliminando lentamente tudo isto mediante a uma oração especial: a oração de abandono. E ao longo de um tempo nós vamos sarando, curando as feridas da alma, até obter o que nós chamamos de paz. Mas a paz bíblica. Isto é, a presença de todo o bem e a ausência de todo mal. Presença de todo bem quer dizer liberdade, gosto de viver, alegria, segurança, todos esses elementos, e toda ausência do mal quer dizer longe das penas, o que nós chamamos de temores, ansiedades, angustias e agonias. Tudo isso desaparece. E nós promovemos essa paz profundamente enquanto vamos sarando todas as feridas da vida. A terceira característica é o processo de santificação cristificante. Nós colocamos Jesus Cristo como modelo de vida, só com uma pergunta: o que faria Jesus no meu lugar? E vamos insistentemente, quase obsessivamente, ser humildes como Jesus, ser pacientes, ser dóceis, e sobre tudo amar como Jesus amou. E tudo isso é um programa de conversão sincera que vai prolongando não somente durante o tempo que dura a oficina, mas ao longo da vida. Finalmente nós insistimos que, amigos de Jesus Cristo são apóstolos de Jesus Cristo. E isso nós entregamos aos oficinistas, nas mãos das paróquias, dos párocos, para que possam realizar verdadeiramente um trabalho apostólico concreto nas suas paróquias. E então essa dimensão apostólica é a última conclusão destas Oficinas de Oração e Vida.

A Boa Notícia: O senhor comentava que um dos carismas é a busca pela paz, como tem sido feito este trabalho das oficinas pelo Mundo?

Larranãga: Mundialmente nós somos um serviço quase desaparecido, isto é, silencioso e humilde, mas eficaz. Nós vamos levando os grupos de pessoas que chegam até nós de uma maneira sistemática, ordenada, eficaz e metódica. Nós não fazemos uma difusão espetacular, tudo vai de boca em boca. Os que são convertidos chamam outras pessoas, e desta maneira lentamente se vai realizando um grupo de pessoas que, silenciosamente, são cada vez mais semelhantes a Jesus e realizam um programa de amor em toda a sua dimensão particularmente aos não amados. Todos os que chegam vivem durante quatro meses uma tarefa sistemática e organizada não somente quando se reúnem, mas durante toda a semana, porque nós damos a cada dia, textos bíblicos e métodos para caminhar e praticar em busca da transformação cristificante.

A Boa Notícia: Como foi a aprovação da Santa Sé, por parte do Papa João Paulo II em relação às Oficinas ocorrido em 2002?

Larrañaga: Naturalmente nós iniciamos há vinte anos este serviço eclesial e pensamos que uma vez que já era um serviço muito estendido e com grandes efeitos na vida das pessoas pensamos em pedir a benção e aprovação da Santa Sé. Eles, no Vaticano, começam a pedir primeiramente todas as obras do fundador, que neste caso sou eu, então todas as minhas obras, meus livros e meus escritos primeiramente passa por todos os discatérios, inclusive o cardeal Ratizinger e a Congregação da Fé, depois nós temos que pedir a todos os bispos e párocos que nos conhecem que enviem uma impressão ao Vaticano. Foi isso que aconteceu, ao princípio nos colocaram como dúvida, mas o fato é que, no entanto, chegaram perto de três mil testemunhos de sacerdotes e bispos. Estes eram altíssimos, elogiosos e nenhum deles tinha nada contra o movimento. Então no Vaticano eles disseram: “isto já esta aprovado pela Igreja porque tantos testemunhos que vêm vindo de quatro continentes e ninguém coloca uma reserva a respeito deste serviço isto praticamente já esta aprovado”. Nos deram a aprovação em sete meses, quando essas coisas demoram cinco, seis, sete, quinze, vinte anos muitas vezes. Disseram a mim que eu escolhesse o dia em que se entregaria a aprovação e eu lhes pedi que a assinatura fosse colocada no dia 4 de outubro, dia de são Francisco meu fundador, e que nós iríamos receber a documentação no dia 15 de outubro, dia de Santa Tereza D’Avila, doutora em oração. E assim aconteceu com a alegria de todo mundo por um tempo de cinco anos. Isto era em 1997 e no ano 2002 nos entregaram a aprovação definitiva.

A Boa Notícia: Como o Papa Bento XVI avalia as oficinas hoje ?

Larrañaga: Ele também participou um pouquinho da aprovação, pois meus escritos chegaram em sua mão. Eu não digo que ele tivesse lido tudo, mas apenas uma parte para poder dizer que isto não tem nada contra o dogma da doutrina da Igreja. Se houvesse algum erro ou heresia ele assinalaria. Não somente nos livros, mas também nos estatutos. Me chama a atenção o fato que Bento XVI muitas vezes fala em ensinar a orar ao povo, e nós o que fazemos é isso. Inclusive, ele disse que um programa pastoral se não existe um momento, para ensinar a orar o povo, não seria muito válido. Quando foi consagrado Santo Padre eu enviei, de parte das oficinas, uma cartinha de felicitação. Ele respondeu, e a sétima carta escrita por Bento XVI desde que assumiu o Pontificado foi para mim dizendo que havia recebido e que estava muito contente.

A Boa Notícia: Qual mensagem o senhor deixa para todos os leitores do Jornal A Boa Notícia?

Larrañaga: Deixem-se amar por Deus. Porque nós fomos formados numa religião com um pouquinho de temor, culpa, castigo e todas essas coisas que bloqueiam o amor gratuito e eterno de Deus. Então eu diria deixem se amar por Deus e ele fica velando seu sono, e de dia ele lhes acompanha onde quer que vocês vão. Realmente se ele é todo poderoso e também todo carinhoso, e se com essas mãos sustenta o Universo, é nessas mãos que ele leva o meu nome escrito, o de vocês e de todos os filhos. Quando a gente se preocupa dizendo estou só no mundo, o Pai responde por um profeta: “Eu estou contigo, não tenhas medo”. Quando a gente se queixa dizendo: “não sei se desde que morreu minha mãe, alguém me quer, de verdade, nesse mundo”, o Pai responde: “eu o quero muito e levo você carinhosamente sobre as sombras de minhas asas”. Tudo isso além do mais é gratuito, isto não é questão de que eu seja justo ou pecador. O Pai me ama porque me ama, porque ele é meu Pai e eu sou seu filho. Me ama sem um porque, sem um para que, sem nenhum interesse, sem nenhuma condição, sem nenhuma utilidade. Ele me ama gratuitamente, mereça ou desmereça Deus, nós somos amados gratuitamente por nosso querido Pai. Esta é a grande notícia trazida por nosso Senhor Jesus Cristo. Eu diria a grande revolução dentro dos conceitos de Deus sobre o Antigo Testamento. Esta é a novidade revolucionária e profunda trazida por Jesus, a questão é experimentar essa ternura e esse amor e desta maneira sentir-se livres e gozozos em fazer felizes os demais.


Fonte: Entrevista exclusiva do Frei Ignácio Larrañaga ao jornalista Pedrinho Botaro para o jornal "A Boa Notícia"